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Compactação de recicláveis pela coleta seletiva poderá render multa em Joinville

Compactação de recicláveis pela coleta seletiva poderá render multa em Joinville

Projeto de Lei quer proibir utilização de caminhões compactadores para recolhimento dos materiais

NSC Total - 15/06/2024 - 07:00 - Beto Lima - [email protected] - Ambiental é a empresa responsável por coletar os recicláveis (Foto: Beto Lima, CBN Joinville)

Um Projeto de Lei que tramita na Câmara de Vereadores de Joinville está propondo a proibição do uso de caminhões compactadores na coleta seletiva de lixo no município. A ideia é que os materiais reciclados sejam preservados em seus formatos originais até chegar às cooperativas para o processo de separação de cada insumo. A proposta foi apresentada pelo vereador Adilson Girardi (MDB) e será votada na Comissão de Legislação da Câmara Municipal.

Em entrevista à CBN Joinville na última terça-feira (11), o vereador Adilson Girardi explicou que a Ambiental, empresa autorizada pela Prefeitura de Joinville a realizar a coleta na cidade, passou a utilizar caminhões compactadores, o que torna parte dos materiais, como o vidro por exemplo, inutilizável posteriormente.

— Recebemos muitas reclamações nos últimos meses dizendo que os caminhões que fazem a compactação nos lixos comuns estariam também compactando o lixo reciclável. Para nós isso é um desperdício muito grande e uma falta de consideração com as pessoas que dependem desse material reciclável — afirmou o vereador.

Na proposta do vereador, em caso de utilização de compactadores nos materiais recicláveis, caberia multa de até 20 mil Unidades Padrão Municipal (UPMs), o que atualmente equivale a mais de R$ 7,7 milhões.


Em maio de 2023, o Coletivo Joinville Lixo Zero ofereceu uma denúncia ao Ministério Público citando, entre outras possíveis irregularidades, a utilização dos compactadores em coleta de recicláveis por parte da Ambiental. Já em maio deste ano, o órgão expediu ofício para que a prefeitura esclareça sobre a demonstração das melhorias no serviço de coleta com os caminhões compactadores em detrimento ao formato tradicional, considerando, no mínimo, a diminuição da perda da matéria-prima destinada às cooperativas e associações de reciclagem habilitadas.

O MPSC também pediu para o executivo municipal comprovar a ausência de compactação e de quebra de materiais de vidro no momento da coleta mecanizada. A reportagem teve acesso ao documento em que o Ministério Público deu o prazo de 30 dias para a resposta da Prefeitura de Joinville, data que chega ao limite no próximo dia 29 de junho. Já a Ambiental, também citada no processo, não sinalizou o recebimento do documento.

O que diz a Prefeitura
Em nota, a Secretaria de Infraestrutura Urbana, responsável pelo contrato com a empresa que presta o serviço de coleta de resíduos no município, alegou que em Joinville são usados caminhões-baú e também os outros modelos conhecidos como compactadores para a coleta. Disse, porém, que os caminhões compactadores usados na coleta seletiva foram adaptados para que não façam a compactação do material e sim a acomodação da carga dentro do veículo, e que, desta forma, a reciclagem não é inviabilizada. 

A nota complementou ainda que os caminhões compactadores adaptados, no mesmo formato usado em Joinville, também são utilizados em outras cidades de Santa Catarina e do Brasil, e que o uso desses caminhões otimiza o recolhimento, uma vez que a capacidade de armazenamento é maior, devido à acomodação dos resíduos no veículo.

Cooperativas questionam procedimentos
Em paralelo ao trâmite no judiciário, as cooperativas de reciclagem se queixam do método adotado recentemente pela Ambiental. A Associação Ecológica de Recicladores e Catadores de Joinville (Assecrejo), no bairro Aventureiro, se nega a receber os materiais recolhidos por caminhões compactadores, aceitando apenas os recicláveis transportados pelos caminhões tradicionais. Para Severino Tavares Nunes, o Primo, presidente da Assecrejo, a utilização dos compactadores prejudicaria todo o ecossistema da reciclagem.

— Hoje estamos com 25 a 30% de rejeito, que é o material que a comunidade mistura e não consegue reciclar corretamente. Imagina com o caminhão compactador. Como líder de cooperativa, eu não aprovaria. O meio ambiente já está gritando, estamos sofrendo os impactos ambientais, precisamos ajudar as pessoas que dependem dessa renda — afirmou Primo à CBN Joinville.

Caso o Projeto de Lei discutido na Comissão de Legislação avance na Câmara de Vereadores, a ideia do vereador Adilson Girardi é promover uma discussão sobre o assunto dentro da Comissão de Urbanismo, convidando a comunidade, associações e cooperativas de coleta, além da empresa responsável pelo serviço e órgãos fiscalizadores.

 

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