Estudo revela que catadores informais são responsáveis por grande parte da reciclagem no país
Brasil / Por Kaylan Anibal / 26/12/2024 às 10:30 - Foto: Canva
O Brasil atingiu uma taxa de reciclagem de 8% dos resíduos sólidos urbanos, com o trabalho de catadores informais. O dado é do Panorama dos Resíduos Sólidos 2024, lançado esta semana pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), e publicado pelo Jornal Folha de São Paulo.
O estudo, que reúne dados de 2023, aponta que o Brasil gerou quase 81 milhões de toneladas de resíduos no ano passado, o equivalente a 382 quilos por brasileiro. Embora a coleta seletiva nos municípios tenha reciclado 4% desses resíduos em 2022, o número subiu para 8,3% com a inclusão dos materiais coletados por catadores autônomos e encaminhados à indústria recicladora. Isso representa 6,7 milhões de toneladas de materiais recicláveis, como plástico, vidro, metais e papelão.
De acordo com o estudo, os catadores informais são responsáveis por ⅔ dos resíduos reciclados, enquanto a coleta seletiva municipal responde por apenas ⅓.
“Isso demonstra que estamos ainda muito atrasados na coleta seletiva”, afirma Pedro Maranhão, presidente da Abrema. “Precisamos incentivar as prefeituras a criar e melhorar a coleta seletiva. Até porque, quando o município implanta esse serviço é porque deixou de desperdiçar resíduos no lixão.”
O estudo revela que, dos 4,2 milhões de toneladas de resíduos recicláveis coletados pelas prefeituras, apenas 52,2%, ou cerca de 2,2 milhões de toneladas, são efetivamente recicladas. O presidente da Abrema acredita que há muito o que avançar, citando países como na Europa Ocidental, Austrália e Nova Zelândia, onde mais de 55% dos resíduos são reciclados. Já na América do Sul, a taxa é de apenas 6%, e na América Central e Caribe, 11%.
Para Carlos da Silva Filho, consultor da ONU e um dos autores do relatório do Pnuma, 32% dos resíduos sólidos urbanos no Brasil são compostos pela “fração seca”, ou seja, materiais recicláveis. Ele destaca que, embora 8% do total de resíduos sejam reciclados, isso representa apenas ¼ da fração seca coletada de forma diferenciada.
Pedro Maranhão ainda critica o regime de tributação do setor, apontando a alta tributação sobre material reciclado, o que torna o processo mais caro em comparação ao material virgem.
“É absurdo tributar material reciclado, que fica mais caro que o material virgem. Temos que zerar a tributação da reciclagem porque incentiva o setor e beneficia também os catadores”, conclui.