Abrerpi

Aguarde, carregando...

ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA - CONVOCAÇÃO | 29/04/2026

Startup eureciclo usa ‘créditos de reciclagem’ para reforçar reaproveitamento do vidro no Brasil

Startup eureciclo usa ‘créditos de reciclagem’ para reforçar reaproveitamento do vidro no Brasil

Empresa de logística reversa lida com desafios como baixo valor pago pelo material e ausência de locais apropriados para triagem em vários estados

 
Estadão - Foto: Ana Carolina João Soto / eureciclo - Por Luis Filipe Santos04/04/2023 | 10h00


O vidro é um dos materiais comuns do cotidiano que pode ser reciclado. No entanto, sua cadeia de logística reversa no Brasil enfrenta problemas. O baixo valor comercial do quilo de vidro torna o interesse menor nas cooperativas; além disso, as centrais de triagem estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste. Na tentativa de alterar este quadro, a startup eureciclo tenta estruturar a cadeia de fornecimento e garantir uma melhor remuneração aos catadores, com o uso da governança.

O instrumento para isso são os créditos de reciclagem, criados por meio de compensação ambiental. Eles funcionam da seguinte maneira: se uma empresa colocou 20 toneladas de embalagens no mercado, parte desse total deve ser retirado do mercado para cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos. No entanto, caso ela mesma não consiga realizar essa retirada, compra os créditos de reciclagem da eureciclo e outras empresas, que garantem que a quantidade necessária será reciclada.

A startup, então, fica com parte do dinheiro e investe o restante para aumentar a remuneração pelo vidro ao longo da cadeia, incluindo para quem recolhe. Dessa forma, o vidro passa a se tornar mais interessante de ser recolhido. “Os créditos são um instrumento financeiro para tornar viáveis cadeias que economicamente não eram”, afirma Marcella Bueno, diretora de operações da eureciclo.

A venda de créditos exige uma governança para provar a quem compra os créditos que o material correspondente de fato será reciclado. Para tal, a eureciclo utiliza uma plataforma própria, baseada nas notas fiscais geradas pelas cooperativas e demais entes da cadeia, de que o material foi recolhido, triado e vendido até ser reciclado. “Funciona como um validador de que o material é pós-consumo. Assim, podemos passar a informação correta e rastreável, e garantir que o material é único e realmente foi compensado”, explica Marcos Matos, sócio-diretor e diretor de marketing da empresa.

“Os parceiros conectados com a plataforma enviam uma série de documentos de homologação para emitirem crédito e eles terem estoque desses créditos”, completa Bueno. As empresas compradoras dos certificados ainda podem ir além dos que é exigido pela lei e receber o selo neutro, para quem retira a mesma quantidade de material que coloca no mercado, e o selo regenerativo, para quem retira o dobro do que coloca.

Regiões
Tornar o vidro mais atraente para ser recolhido resolve parte do problema, mas não ele todo. Ainda resta a questão da falta de locais apropriados para realizar a triagem e a reciclagem em grande parte do país - por exemplo, uma carga teria que viajar de Manaus até Sergipe para ser reciclada, tornando o custo do transporte mais caro que o arrecadado.

Além dos créditos, outra solução para tornar a cadeia viável foi criar hubs locais que poderiam receber cargas de operadores, realizar a triagem e enviá-las às indústrias recicladoras em quantidades maiores. Em 2022, seis rotas foram estruturadas, e uma sétima está sendo criada. Segundo a eureciclo, o número de operadores cadastrados na plataforma que trabalham com vidro saltou de 19 em 2020 para mais de 100 em 2023.

O trabalho para a estruturação dos hubs envolve três etapas: mapear a região para entender questões como distância, logística necessária, custos, se há tecnologia local que possa ser melhorada, e planejar; a segunda é uma fase de testes para saber se o planejamento deu certo, se necessário reforçando pontos como compra de equipamentos de coleta e conscientização dos operadores locais; por fim, entra na fase de perpetuação, em que no máximo alguns ajustes são necessários. “No mapeamento vemos as possibilidades que existem e buscamos entender quais tecnologias há no local”, conta Bueno.

Embora ajude a superar a questão das distâncias, ainda há reflexos. O crédito para a mesma quantidade de material reciclado no Amazonas é mais caro do que no Mato Grosso do Sul, que por sua vez é mais caro do que em São Paulo. Atualmente, o projeto da eureciclo está presente em sete estados (Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Piauí) e há a previsão de expansão para Espírito Santo, Paraíba, Rio Grande do Norte e Rondônia.

A startup calcula que desde o início em 2021, 8.400 toneladas de vidro foram recicladas e retornaram à cadeia produtiva, e a expectativa é que o volume seja de aproximadamente 6.000 toneladas em 2023. A capacidade de triagem e reaproveitamento dos resíduos cresceu mais de 440%. “O crédito no fim é só um meio para que tudo aconteça de forma mais eficiente possível, e a gestão do sistema seja feita da melhor forma”, resume Bueno.

← Matéria anterior Próxima matéria →

Fique por dentro das principais notícias

Reciclagem de Pneus: Solução Sustentável que Transforma Resíduos em Valor Ambiental e Econômico

Reciclagem de Pneus: Solução Sustentável que Transforma Resíduos em Valor Ambiental e Econômico 15/04/2026

Reciclagem de Pneus: Solução Sustentável que Transforma Resíduos em Valor Ambiental e Econômico

Mais do que conectar cidades, ponte de Guaratuba liga meio ambiente e cidadania

Mais do que conectar cidades, ponte de Guaratuba liga meio ambiente e cidadania 14/04/2026

Mais do que conectar cidades, ponte de Guaratuba liga meio ambiente e cidadania

Ponte de Guaratuba recebe asfalto feito de pneus reciclados

Ponte de Guaratuba recebe asfalto feito de pneus reciclados 14/04/2026

Ponte de Guaratuba recebe asfalto feito de pneus reciclados