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‘A gente quer uma sociedade mais justa’, diz fundadora de startup referência em economia circular

‘A gente quer uma sociedade mais justa’, diz fundadora de startup referência em economia circular

Saville Alves fundou, junto com uma amiga, a startup Solos há cinco anos em Salvador; hoje, estão em seis Estados


Terra - Maria Clara Andrade - 22 nov 2023 - 05h00

Para Saville Alves, o que dá sentido ao seu trabalho são as pessoas. As indicações a prêmios que dão a ela reconhecimento nacional são um detalhe perto do propósito maior que ela tem para a sua caminhada. Aos 31 anos, Saville está à frente da Solos - uma empresa que trabalha para fomentar a economia circular. O meio ambiente e a sustentabilidade são, sim, peças-chave do seu negócio, mas,”no final do dia, o que a gente quer é uma sociedade com mais justiça”, define. 

Em síntese, a Solos trabalha com soluções para pensar no pós-consumo, ou seja, para onde vai aquele material depois da sua finalidade inicial. A Solos atua auxiliando empresas e o poder público, aliada às cooperativas de reciclagem, a retornarem tais resíduos para a cadeia produtiva. Isso é a economia circular.

Ela contextualiza que, no Brasil, segundo o Anuário da Reciclagem de 2022, há cerca de 2 milhões de pessoas vivendo da captação informal. “São essas 2 milhões que fazem o Brasil ser o recordista no mundo de reciclagem do alumínio. É massa ser recorde no alumínio, mas é muito duro e muito triste você ser recordista a partir de pessoas que não estão profissionalizadas, que não têm os materiais e a capacitação para executar aquilo que estão ganhando 200 conto por mês”, resume Saville.

 

É por tais dados e pela própria vivência em comunidades que, ao ser convidada a pensar em um futuro ideal, Saville fala primeiro em justiça social e menos desigualdade para depois mencionar a sustentabilidade. Atualmente, a Solos trabalha em parceria com 7 mil catadores, divididos em 25 cooperativas. São mais de R$ 2,5 milhões em renda para esse tipo de profissional.

Como nasceu
A empreendedora baiana explica que a semente para fundar a Solos surgiu quando conheceu uma realidade diferente da dela. Na época que foi voluntária da ONG Teto, que promove habitação popular, Saville teve uma convivência intensa com o dia a dia das periferias soteropolitanas. Viu casas sem saneamento ou banheiro e, daí, veio a ideia de se tornar empreendedora social.

Foi um tiro no escuro, com a cara e coragem. “Eu achei, no primeiro ano, que a gente ia emplacar já e não foi. A gente demorou oito meses para fechar o primeiro contrato. Foram oito meses tirando do caixinha que tínhamos feito para a Solos, criando projetos para ter cases, chamando parceiros mais estabelecidos no mercado para dar visibilidade”, relembra.

Mas quando engatou, a Solos emplacou uma sequência de crescimento. Todos os anos, segundo Saville, a empresa tem crescido pelo menos 100% em comparação ao ano anterior.

De Salvador para todas as regiões do Brasil
Quando fundou a Solos, há cinco anos, junto com a amiga Gabriela Tiemy, Saville estava perto de completar 26 anos. Já tinha passado por duas multinacionais e feito uma boa reserva para aguentar o tranco de pelo menos um ano sem receber salário - e ainda gastando mais do que entrava.

As duas tinham sido selecionadas em um edital de pré-aceleração, com mentores de alto escalão, em uma imersão que aconteceu em São Paulo por sete meses. O período foi importante para entenderem mais do mercado e desenharem o modelo de negócio ideal para as duas.

A escolha de estabelecer o negócio em Salvador também se relacionou com o desejo de serem pioneiras

Decidiram ir na contramão. Em vez de estabelecerem uma empresa em São Paulo, cidade com maior concentração de renda e investimentos, preferiram retornar para Salvador e, de lá, dominar o Brasil. “Hoje, eu acredito que foi uma decisão acertada. Eu acho que a gente conseguiu se destacar por alguns atributos que nossos concorrentes acabam não tendo”, diz.

Segundo Saville, as startups com perfil próximo a Solos são, na grande maioria, liderada por homens. Além disso, estão concentradas na região Sul-Sudeste. A decisão de estabelecer a empresa em Salvador passa por valores e, também, pelo desejo de serem pioneiras.

“O Nordeste é a segunda região que mais gera lixo no Brasil e é a que menor remunera os catadores. Inclusive, no Norte, que a ausência para saneamento é mais acentuada, os catadores lá ganham mais do que os catadores aqui do Nordeste”, afirma.

Hoje, a Solos está presente em seis Estados - além da Bahia, Ceará, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Após completarem cinco anos, a equipe da Solos resolveu escrever suas metas para cada ano. Ao final dos próximos cinco, Saville espera que a empresa esteja presente nas cinco regiões do País. 

Este ano, Saville concorreu ao Prêmio Empreendedor Social na categoria Inclusão Social e Produtiva. Em 2022, ela foi eleita pela Revista Forbes como uma das 20 mulheres mais inovadoras das AgTechs Brasil.

 

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