Abrerpi

Aguarde, carregando...

ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA - CONVOCAÇÃO | 29/04/2026

Com rio Negro em cheia, lixo expõe gargalos da reciclagem em Manaus

Com rio Negro em cheia, lixo expõe gargalos da reciclagem em Manaus

Capital produz duas mil toneladas de resíduos por dia, recicla apenas 2% e cooperativas enfrentam falta de pontos de coleta, infraestrutura precária e descarte irregular da população

Crítica.com - Lucas Motta 22/02/2026 às 17:54 - Atualizado em 22/02/2026 às 17:54
 
Coordenadora da Cooperativa Amar, Neide Lima. (Foto: Lucas Motta/A Crítica)

O rio Negro, em Manaus, segue enchendo, já ultrapassou a cota de 23,80 metros e o mês de fevereiro deve registrar chuvas acima da média de acordo com as previsões do Instituto Nacional de Meteorologia. A subida da água traz uma realidade amarga para a capital, o acúmulo de lixo descartado incorretamente. Dados da Prefeitura de Manaus indicam que o município produz duas mil toneladas de resíduo sólido por dia.

Há cinco anos, o papelão, a garrafa pet, as latas de cerveja ou refrigerante fazem parte da rotina de trabalho do Mauro Coelho. O catador é um dos membros da Cooperativa Amar, que funciona na zona Oeste de Manaus. A função dele é o de separar quais são os itens que podem ser reciclados e dividir eles de acordo com a finalidade. O serviço começa pela manhã e termina só à noite, leva cerca de dois dias para encher uma “bag” e o processo todo exige bastante atenção.

“No momento da triagem a gente classifica os materiais para poder voltar para indústria e comércio. Tem o plástico grosso, o fino o papelão, papel branco de caderno e outros materiais que podem ser recicláveis”, explicou Coelho.

Depois da separação é a vez da prensa hidráulica entrar em ação, ela faz os chamados “fardos” de materiais únicos e cada um deles pode chegar a até meia tonelada. Por ser de composição diferente, o valor de venda varia, neste mês de fevereiro o pago para o papelão é de 80 centavos o quilo. A cooperativa não consegue vender direto para as indústrias ou grandes mercados de reaproveitamento, vendem para um atravessador que faz a ligação até o destino final, ou seja, perdem margem de lucro.

Poucos pontos de coleta

A coordenadora da cooperativa, Neide Lima, explicou que o trabalho é muito desafiador por causa da falta de cultura da população em fazer a separação dos resíduos. Os pontos de coleta existem, mas são poucos frente ao alto volume de lixo produzido pela cidade. O resultado disso é gasto de dinheiro, algo que varia de R$ 300 a R$ 500, por dia, com pagamento de combustível para os cooperados “caçarem” os resíduos sólidos pela rua.

A cooperativa atua há 20 anos na cidade, mas apenas há três foi oficializada. Com a ajuda de um projeto encabeçado pelo Ministério Público do Trabalho e Arquidiocese de Manaus, a Amar recebe o resíduo sólido de uma comunidade na zona Norte da cidade e promove palestras sobre a preservação e o impacto econômico e ambiental da reciclagem.

“É a questão do cuidado com as plantas, cuidado com o local onde você está, com os resíduos e como você faz o descarte disso, também estamos freando o uso de plásticos dentro das paróquias”, comentou o frei Paulo Xavier, coordenador da Comissão da Ecologia Integrada da Arquidiocese.

Gerenciamento do Lixo

O Brasil possui, desde 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada no dia 2 de agosto daquele ano. Ela regulamenta o gerenciamento do lixo e nasceu para dar fim aos “lixões”.

Entre as suas diretrizes, existe a modalidade de parceria público / privada, algo que a cooperativa cobra do município de Manaus.
Através de nota, a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana informou que o executivo “desenvolve uma política de gestão de resíduos sólidos que inclui parcerias e cooperação com associações e cooperativas de catadores, reconhecendo esses trabalhadores como protagonistas da sustentabilidade, da economia circular e da inclusão social”.

O posicionamento também destacou que a atuação da secretaria envolve apoio institucional, integração dos catadores às ações de coleta seletiva e educação ambiental, além do fortalecimento da cadeia da reciclagem no município de uma forma que essas parcerias contribuem para a redução do volume de resíduos destinados ao aterro, geram trabalho e renda e ampliam o impacto ambiental positivo em Manaus.

Poluição 

Mesmo com essa integração, apenas 2% do lixo na capital é reciclado. Iniciativas como a da Amar tentam ampliar esse tímido retorno e promover uma mudança em cadeia na cidade para que a forma como os manauaras lidam com os resíduos possa ser pautada na conscientização. Pesquisas recentes da Fiocruz, por exemplo, já identificam a presença de microplásticos na Amazônia. O rio Amazonas é o segundo mais poluído por plástico no mundo, contribuindo com até 10% de todo o lixo plástico que chega aos oceanos. Os dados são do estudo coordenado pela Fiocruz, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá
“Se hoje a gente tem, em média, 300 a 400 toneladas por mês de resíduos coletados com a nossa operação precária, imagina se tivéssemos infraestrutura adequada. Iríamos tirar esse prejuízo do meio ambiente que hoje a gente vê nossa cidade afundando em resíduos”, disse Neide Lima.

← Matéria anterior Próxima matéria →

Fique por dentro das principais notícias

Reciclagem de Pneus: Solução Sustentável que Transforma Resíduos em Valor Ambiental e Econômico

Reciclagem de Pneus: Solução Sustentável que Transforma Resíduos em Valor Ambiental e Econômico 15/04/2026

Reciclagem de Pneus: Solução Sustentável que Transforma Resíduos em Valor Ambiental e Econômico

Mais do que conectar cidades, ponte de Guaratuba liga meio ambiente e cidadania

Mais do que conectar cidades, ponte de Guaratuba liga meio ambiente e cidadania 14/04/2026

Mais do que conectar cidades, ponte de Guaratuba liga meio ambiente e cidadania

Ponte de Guaratuba recebe asfalto feito de pneus reciclados

Ponte de Guaratuba recebe asfalto feito de pneus reciclados 14/04/2026

Ponte de Guaratuba recebe asfalto feito de pneus reciclados