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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE RECICLAGEM DE PNEUS INSERVÍVEIS

Cooperativas de reciclagem de Sorocaba enfrentam dificuldades por falta de verbas e queda no valor de materiais: 'Não conseguimos sobreviver'
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Cooperativas de reciclagem de Sorocaba enfrentam dificuldades por falta de verbas e queda no valor de materiais: 'Não conseguimos sobreviver'

Ao menos 30 toneladas de plástico, papelão, vidro e latinhas deixam de ser recicladas e vão para o aterro sanitário. Prefeitura informou que vai implantar um novo sistema de coleta de materiais recicláveis.


G1 - Por Moniele Nogueira, Maíra Fernandes, TV TEM -17/05/2024 17h43  Atualizado há 2 dias


Ao menos 30 toneladas de plástico, papelão, vidro e latinhas deixam de ser recicladas e vão para o aterro sanitário — Foto: Reprodução/TV TEM

O setor de reciclagem enfrenta uma crise em Sorocaba (SP). De todo o lixo recolhido na cidade, apenas 2% são reciclados. Ao menos 30 toneladas de plástico, papelão, vidro e latinhas deixam de ser recicladas e vão para o aterro sanitário. A falta de políticas públicas e a queda brusca no valor pago pelas embalagens afastaram os catadores de recicláveis.

O levantamento foi feito pela TV TEM para mostrar a situação enfrentada pelo setor no Dia Mundial da Reciclagem, celebrado nesta sexta-feira (17).
A prefeitura informou que vai implantar um novo sistema de coleta de materiais recicláveis para atender a cidade toda e que está na fase de contratação da empresa para o serviço (veja mais detalhes abaixo).

A renda adquirida por meio dos reciclados é o que pode oferecer uma qualidade de vida para diversos moradores da cidade, como é o caso da catadora Regis Selene Muczinsk, que criou os filhos com o dinheiro conquistado na profissão.

"A quantidade de gente que trabalha com nós aqui, acho que, se é importante para mim, é importante para eles também. A renda ajuda bastante, terminei de construir a minha casa, o meu filho comprou um lote [terreno] só com isso que o povo fala que é lixo. Criei os meus filhos, agora todos estão trabalhando e tenho três netos", diz.

Outras histórias como a de Regis poderiam ser contadas, mas a crise no setor as prejudicou. Conforme apurado pela reportagem, muitos fatores interferem no ciclo de cuidado da natureza e geração de renda, como o valor pago pelo material, por exemplo. Em pouco mais de um ano, o preço médio dos produtos caiu 60%.

O papelão está entre os mais desvalorizados. No começo de 2023, o quilo custava R$ 1,50. Agora, é vendido a R$ 0,30. A latinha, que era comercializada a R$ 12 o quilo, caiu pela metade e agora sai por R$ 6. Já a caixinha de leite de R$ 0,30 agora tem o quilo vendido por apenas R$ 0,08.

"Antes a gente trabalhava com uma quantidade de 40, 60 pessoas na cooperativa. Com a queda brusca de um ano e cinco meses do material, que caiu muito o valor, a gente não está conseguindo sobreviver. É por esse motivo que as pessoas estão saindo e tentando procurar um lugar que seja registrado ou que esteja pagando um pouco mais", relata Áurea Aparecida Bueno, presidente da Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba (Coreso).
 

Ciclo de reciclagem prejudicado
 
O trabalho é essencial para a natureza e uma ajuda valiosa no orçamento familiar. Mas, além do baixo retorno do mercado, as cooperativas de Sorocaba não são pagas para fazer o trabalho. A Coreso, que existe há duas décadas, afirma que recebe ajuda da prefeitura apenas com caminhões para a coleta.


"Se nós fôssemos contratados pela prefeitura, recebendo os nossos serviços prestados no município, nós não teríamos tantas pessoas saindo da cooperativa, porque seria uma ajuda a mais para pagar energia, água, todos os gastos que a gente tem, e ainda ter um ganho melhor na cooperativa. Teríamos mais famílias trabalhando", afirma Áurea.

Na sede da Coreso, os reflexos da crise podem ser vistos no número de pessoas que trabalham no local. De 14 caiu para nove pessoas que participam da triagem, que consiste em separar o plástico, papelão, caixinha de leite e alumínio com a ajuda de uma esteira.

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