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Geraldo já faliu, mas nada abala fé de quem venceu catando latinha

Geraldo já faliu, mas nada abala fé de quem venceu catando latinha

Mineiro esteve em Campo Grande para uma palestra particular e atendeu o Lado B no restaurante Augustus

Campo Grande News - Por Natália Olliver | 14/03/2026 16:32 - crédito da foto:  (Foto: Paulo Francis)

https://www.campograndenews.com.br/lado-b/comportamento-23-08-2011-08/geraldo-ja-faliu-mas-nada-abala-fe-de-quem-venceu-catando-latinha

 

O jornal Campo Grande News publicou matéria esta semana mostrando  a história de Geraldo Ruffino, de 67 anos, que já faliu inúmeras vezes, mas, segundo o jornal, nada abala a positividade de quem venceu catando latinha na infância. Hoje ele visita lugares do país e do mundo para contar como conseguiu ter a maior empresa de reciclagem automotiva da América do Sul assim, com latas de refrigerante e cerveja que recolhia.

 

O empreendedor mineiro esteve em Campo Grande neste sábado (14) para ministrar uma palestra particular na CDL (Câmara de Dirigente Lojistas de Campo Grande) e atendeu o Lado B enquanto almoçava no Augustus Restaurante, casa de peixe tradicional na cidade.

Sem papas na língua, Geraldo conta que não deixou de catar lata, só mudou o tamanho delas.

“Eu catava latinha, mas trabalhava com tanto empenho, amor e espírito empreendedor. Hoje é a mesma coisa, só mudei o tamanho. Mudei de endereço e não mudei meus valores. Não é o quanto você tem, é quem você tem. Não é o tamanho do negócio, é o tamanho das pessoas que estão com você”.

Geraldo nasceu em Minas Gerais, mas cresceu na Favela do Sapé, em São Paulo. Aos sete anos, perdeu a mãe e a necessidade chegou cedo. Aos 8, ele já trabalhava ensacando carvão em uma fábrica. Depois deixou o emprego para catar latinhas em um lixão. O dinheiro era pouco.

Ele e os irmãos montaram pequenos negócios improvisados, construíram carrinhos e passaram a alugar para crianças que trabalhavam como carregadores nas feiras livres. Além disso transformaram a própria casa em um “cinema”, cobrando ingresso para que outras crianças assistissem à televisão.

Aos 13 anos, surgiu outra oportunidade. Rufino conseguiu emprego como office boy. Mas para que pudesse trabalhar, ele teria que voltar para a escola. Alguns anos depois, comprou o primeiro carro, um Fusca. Mais tarde adquiriu também uma Kombi, que passou a ser usada por um dos irmãos. Anos depois veio a segunda Kombi.

Um acidente acabou com tudo, mas também abriu os olhos dele para um negócio. Sem seguro das Kombis, tudo parecia o fim da linha. A família decidiu desmontar o que restou dos veículos para vender as peças. Foi aí que surgiu a ideia de uma desmontadora e recicladora de veículos.

“Eu nunca fali, eu nunca fracassei, eu só fiquei sem dinheiro. Esse é o menor dos meus valores. Na realidade, desistir não pode ser uma opção. Você já nasce disputando com muitas pessoas que poderiam estar no seu lugar, então você é privilegiado. Não há mais que obrigação de deixar algum legado. Todo dia levanto determinado a fazer alguma coisa que justifique a minha estadia por aqui. Nós nascemos locomotiva e não vagão”.

Modesto, ele conta que não tem nada de especial e que a história dele é como a de qualquer outro brasileiro.

“Perdi minha mãe com 7 anos e, de lá para cá, consegui fazer com que ela fosse imortal, inesquecível. Ganho força na base da família e todo dia procuro empreender. Gosto de olhar para as pessoas, nos lugares, para que elas olhem para dentro de si e vejam o gigante que têm lá dentro”.

Voltando para a história dele, depois de anos na desmontadora o negócio foi melhorando, surgiram investimentos e propostas, e Geraldo criou uma empresa de carros. O negócio deu certo por pouco tempo. Geraldo faliu, mas se reergueu depois com ajuda da família.

“Eu falo tanto de pessoas que vejo e admiro, pessoas que estão fazendo coisas neste país para fortalecer outras pessoas. Se nós nos unirmos com propósito, ao invés de ficar olhando para o estrume, o Brasil é o cavalo, tem que olhar para o cavalo. Nós estamos em cima do cavalo, montados nele. Eu não desisto desse cavalo. A gratidão é a chave. Tem que agradecer. Os tempos não são difíceis, eles são diferentes”.

Em 2018, Geraldo escreveu o livro O Catador de Sonhos. A obra marcou o momento em que o empresário passou a ganhar mais projeção nacional também como palestrante e autor, contando a própria trajetória de vida. O material é um best-seller, um dos mais vendidos no país.

O livro reúne memórias da infância pobre, o período em que catava latinhas e as tentativas de construir negócios até chegar à empresa de reciclagem automotiva. O segundo livro veio com o título 'O poder da positividade'.

 

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