Custos altos, falta de incentivos e concorrência asiática provocam fechamento em massa de usinas, pondo em risco anos de avanço ambiental
Olhar Digital - Por Leandro Costa Criscuolo, editado por Layse Ventura 28/10/2025 15h43 - Imagem: Adrian Tambo/Shutterstock - (Imagem: Deemerwha studio/Shutterstock)
O setor de reciclagem de plástico enfrenta uma crise sem precedentes na Europa e no Reino Unido, com o fechamento em série de fábricas e o cancelamento de novos projetos.
Desde 2023, estima-se que quase um milhão de toneladas de capacidade de reciclagem tenham sido perdidas, segundo a organização Plastic Recyclers Europe.
“Sem ação política decisiva, a Europa substituirá sua indústria de reciclagem pela dependência de importações insustentáveis”, alertou a entidade à BBC.
Fechamentos em série e dependência da Ásia
Nos últimos dois anos, grandes recicladoras como Biffa, Viridor e Veolia encerraram operações em vários países europeus.
Além disso, empresas como Borealis e Dow desistiram de construir novas plantas no continente.
Segundo James McLeary, diretor da divisão de polímeros da Biffa, os altos custos de energia e mão de obra, somados à concorrência do plástico virgem e reciclado importado da Ásia, estão levando o setor ao seu “ano mais desafiador até agora”.
O Reino Unido, por sua vez, exportou 600 mil toneladas de resíduos plásticos em 2024 – 5% a mais que no ano anterior.
Apelos por reformas e novas soluções
Autoridades e executivos do setor defendem uma reforma urgente. Steve Morgan, da organização britânica RECOUP, alerta que “estamos quase testemunhando o fim da reciclagem de plástico como a conhecemos”.
A entidade pressiona o governo a criar um sistema único de certificação e reduzir exportações. O Departamento de Meio Ambiente britânico afirma que novas reformas e um programa de devolução de garrafas, previsto para 2027, devem fortalecer o mercado interno.
Apesar das dificuldades, há sinais de resistência: a Enviroo investe £ 58 milhões em uma nova planta no norte da Inglaterra, e empresas como a Plastic Energy apostam em tecnologias avançadas para transformar resíduos em novos materiais.
Empresas europeias encerram operações enquanto especialistas pedem políticas mais firmes e incentivos para manter o setor vivo