Estudo da GIZ com o MEC e o SENAI revela 31 profissões que atuam com a circularidade de recursos e produtos e 33 cursos que podem ser criados ou aperfeiçoados, segundo setores estratégicos
A Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ) elaborou estudo inédito que elenca as 31 profissões que já existem e podem atuar com economia circular e 33 cursos que devem ser criados ou aperfeiçoados para atender a demanda de setores estratégicos.
São profissionais que se encontram, principalmente, nas áreas de gerenciamento e reciclagem de resíduos, desenvolvimento de produtos, produção de energia renovável, gestão de recursos e sustentabilidade, e educação e publicidade.
O Estudo para a promoção da economia circular na indústria brasileira - Demandas por competências, formação profissional e oferta de cursos avaliou cinco segmentos que já enfrentam desafios e buscam soluções para aumentar o nível de circularidade: têxtil, plástico, alimentos e bebidas, eletroeletrônico e gerenciamento de resíduos.
“A educação profissional na Alemanha está se preparando, há algum tempo, para formar profissionais de diferentes níveis e atender às demandas nos setores de produção, reciclagem, matérias-primas secundárias e gerenciamento de resíduos. Com o estudo, conseguimos analisar os países que lideram esse movimento e apontar as demandas atuais e futuras do setor produtivo brasileiro, além dos cursos existentes”, explica Martin Studte, coordenador do Projeto Profissionais do Futuro, da GIZ.
O que é a Economia Circular
A economia circular é um dos quatro pilares da estratégia da indústria para uma economia de baixo carbono. Associa o desenvolvimento econômico a um melhor uso dos recursos naturais, por meio de novos modelos de negócios, otimização nos processos de fabricação, menor dependência de matéria-prima virgem e priorização de insumos mais duráveis, recicláveis e renováveis. Assim, contribui ainda para a redução de emissões de gases poluentes e para o combate à mudança climática.
“O SENAI é o principal parceiro da indústria na formação inicial e na atualização de profissionais e, por isso, esse trabalho em parceria com a GIZ é tão importante para o setor. Identificar os conhecimentos, perfis profissionais e cursos necessários para promoção da economia circular no Brasil é o primeiro passo rumo à descarbonização. Precisamos de gente qualificada na ponta”, ressalta o superintendente de Educação Profissional e Superior do SENAI, Felipe Morgado.
Essas são as 15 profissões centrais para a economia circular
São profissões diretamente ligadas – centrais – às estratégias verdes da economia circular: priorizar os recursos regenerativos, preservar o que já é feito, utilizar os resíduos como recurso e repensar os modelos de negócios (mais detalhes abaixo).
Interessante observar que, no nível de formação inicial continuada, que são os cursos de qualificação com duração média de 3 a 6 meses, as profissões relacionadas a manutenção e reparos são centrais por ampliarem a vida útil dos produtos, uma das principais estratégias da economia circular.
Sem elas, não dá: as 16 profissões de viabilização da economia circular
As atividades de viabilização não têm necessariamente a economia circular como objetivo principal, mas sem elas, a economia circular não funciona. São atividades que envolvem a colaboração para benefícios comuns (a exemplo dos profissionais que atuam com cooperativismo), a criação de um design para o futuro e a digitalização.
É preciso aperfeiçoar o que existe e criar novos cursos
Para o estudo, a GIZ aplicou questionários e realizou entrevistas com representantes de empresas dos cinco setores analisados. Os participantes indicaram cursos existentes que precisam de aperfeiçoamento e novos cursos que podem ser criados. São eles:
Técnico
Técnico em reciclagem
Técnico em reciclagem de polímeros
Técnico em logística reversa
Técnico em gestão de resíduos e economia circular
Técnico em meio ambiente com ênfase em economia circular
Graduação - Tecnólogos
Curso superior de tecnologia em polímeros
Curso superior de tecnologia em papel e celulose
Curso superior de tecnologia em cerâmica
Curso superior de tecnologia em biocombustíveis
Curso superior de tecnologia em processos químicos
Curso superior de tecnologia em produção têxtil
Curso superior de tecnologia em gestão ambiental
Curso superior de tecnologia em gestão de resíduos sólidos
Curso superior de tecnologia em gestão hospitalar
Curso superior de tecnologia em saneamento ambiental
Graduação - Bacharelado
Engenharia Química
Engenharia Industrial
Engenharia Ambiental
Engenharia de Materiais
Engenharia Eletrônica
Engenharia Elétrica
Engenharia Mecânica
Engenharia de Polímeros
Engenharia Têxtil
Pós-graduação
Manufatura avançada e sustentável
Matérias primas e insumos circulares
Gestão de riscos ambientais, sociais e de governança (ASG) e circularidade
Ecodesigner e design sustentável
Polímeros circulares
Fibras circulares
Especialista em economia circular na política pública e regulatória
Assessor jurídico e regulatório
Comunicação para a circularidade
Diferentes estratégias para promover a economia circular
Para passarmos de uma economia linear para circular, os profissionais centrais vão atuar com quatro estratégias principais:
Preservar e ampliar o que já foi feito: enquanto os recursos estão em uso, mantê-los, repará-los e atualizá-los para maximizar sua vida útil e dar-lhes uma segunda vida através de estratégias de recuperação. Isto envolve a reutilização, reparo, reforma, remanufatura e readequação dos produtos;
Priorizar os recursos regenerativos para garantir que recursos renováveis, reutilizáveis e não tóxicos sejam utilizados como materiais e energia de maneira eficiente, reduzindo a demanda por recursos materiais não renováveis;
Usar os resíduos como recurso secundários através da sua recuperação e reutilização;
Repensar os modelos de negócios prevalentes e modificá-los em modelos de negócios que se baseiam na interação entre produtos e serviços, p. ex., sistemas de leasing, aluguel e compartilhamento. Isto torna o uso do produto mais intensivo e envolve a reutilização dos produtos.
Recuperação de resíduos sai na frente, mas ainda tem muito para avançar
Apesar das diferentes estratégias, atualmente a economia circular está muito focada na recuperação de resíduos, ou seja, nos produtos descartados no seu fim de ciclo de vida e na sua reutilização como matéria-prima secundária.
Contudo, até a coleta seletiva, que já está mais avançada no Brasil, merece atenção. Observa-se aumento contínuo na quantidade de resíduos sólidos urbanos (RSU), de 73 toneladas em 2010 para 76,5 toneladas coletadas em 2022, fazendo com que o país continue sendo um dos cinco maiores produtores de RSU do mundo.
As iniciativas estão mais concentradas no Sul e Sudeste, onde mais de 90% dos municípios têm alguma atividade, mas cerca de 25% dos municípios brasileiros não têm nenhuma ação. A taxa da materiais recuperados e reciclados alcança apenas 2,2 % dos RSU.
Por outro lado, a meta de reciclagem de embalagens deve alcançar 50 % em 2040, apontando o grande potencial de empregos nessa área. Os catadores - atores principais do setor - se encontram bastante afastados dos sistemas de ensino básico e de educação profissional tradicionais. Portanto, são relevantes as iniciativas de capacitação profissional customizada e a ampliação da oferta de cursos.
Sobre a GIZ e o Projeto Profissionais do Futuro
O projeto Profissionais do Futuro integra a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável e é implementado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH e pelo Ministério da Educação (MEC) do Brasil e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) – maior rede de educação profissional e serviços tecnológicos para a indústria do país. Os recursos são do Ministério Federal da Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha.