Abrerpi

Aguarde, carregando...

Aumento de reciclagem beneficia cooperativas e também ações solidárias no alto tietê

Aumento de reciclagem beneficia cooperativas e também ações solidárias no alto tietê

Até 2040, meta do Plano Nacional de Resíduos Sólidos é reciclar metade do que é produzido no Brasil. Desafio é grande, mas a dedicação de algumas pessoas com o meio ambiente é maior.


Por Diário TV 2ª Edição - 06/06/2022 20h35 Atualizado há 19 horas

Número de latinhas de alumínio recicladas cresce no Alto Tietê

O recado já fica logo na entrada. É que a ideia aqui dentro é reaproveitar tudo o que for reciclável. Quem faz todo esse trabalho, com uma organização impecável, é o aposentado Norival Freire.

“Comecei a caminhar e alguém falou para mim sobre as tampinhas para a causa animal - eu gosto muito de animal - falei ‘vou começar a juntar tampinhas’. Depois eu falei: ‘mas pera aí, o que eu estou fazendo pelo meio ambiente? Se eu estou achando que eu estou ajudando tirando as tampinhas, por que eu estou deixando as garrafinhas?’ Daí eu comecei do parque trazer as garrafinhas. Aí eu comecei a levar sacola e a sacola foi crescendo. Começou a ficar com sacolas grandes. Eu cheguei a trazer oito sacolas de uma vez só, de reciclagem. Daí eu fui me envolvendo, comecei a fazer ponto de coleta em Poá, em Mogi, em Suzano”, explica o aposentado.


Ele é muito persistente. Norival começou o projeto há três anos, mas faz pouco tempo que o leque de materiais cresceu. Até agora os números são impressionantes: 2 milhões de tampinhas, 75 mil caixas de leite, meia tonelada de plástico e 1,7 milhão de lacres já foram recolhidos.

A ação de Norival alimenta a esperança de Damião Carlos de Carvalho conseguir andar de novo. O inspetor de qualidade sofreu um grave acidente em 2020 na Rodovia Presidente Dutra. Ele estava em um moto teve as duas pernas amputadas e está recebendo a ajuda do Norival para colocar as próteses. O tratamento custa entre R$ 400 mil e R$700 mil.

“A gente está nessa luta já faz algum tempo para ver se consegue arrecadar um valor. O meu sonho, sei lá, é arrumar uma pessoa que pudesse me ajudar a realizar esse sonho, esse outro sonho que eu tenho, que é um dia caminhar, usar os joelhos”.

“Aí entrou os lacres. Aí eu fui fazer pontos de coleta em vários lugares, falando do lacre, falando da tampinha, descartar, fiz camiseta”, disse Norival.

Cooperativas de reciclagem Alto Tietê se beneficiam do aumento de reaproveitamento dos materiais. — Foto: Diário TV/Reprodução
Cooperativas de reciclagem Alto Tietê se beneficiam do aumento de reaproveitamento dos materiais. — Foto: Diário TV/Reprodução


Bem para o próximo, para si mesmo e mais ainda para o planeta. Ações como essa refletem diretamente nos resultados da reciclagem no país. No ano passado, o Brasil atingiu o índice de 98,7% de reciclagem das latas de alumínio. Isso significa que 409 mil toneladas, de um total de 414 mil desse material, passaram pelo processo de reciclagem. É o maior desempenho da história da reciclagem brasileira, desde 1990, quando o indicador começou a ser mapeado.

Quem está comemorando esses dados são as cooperativas que trabalham com reciclagem. Em uma de Arujá, por exemplo, o número de latinhas de alumínio que chegavam por lá sempre foi muito pequeno. Mas de uns meses para cá, essa realidade mudou e hoje a venda delas já representa 20% do faturamento.

“Antes da pandemia a gente coletava 60 toneladas de material reciclável. Veio a pandemia e deu aquela queda, começamos a recolher 20%, 29% só. E agora voltou de novo o volume, acho que o pessoal está comprando mais, não sei se estão comprando mais e o volume aumentou, graças a Deus” explicou Adriano Cavalcante, fundador da cooperativa.

Depois da falta de material no mercado durante a pandemia, a valorização do alumínio tem sido uma ótima oportunidade pro setor: geralmente ele já chega mais limpo, é separado com mais facilidade e depois vira esses blocos prensados prontos para venda.


“A latinha dá menos trabalho. Ela chega aqui para a gente, só questão de separar, coloca nos bags, é feita a prensagem e a venda. Então, não tem muito trabalho, não dá muito trabalho para você separar, tirar plástico. Já vem limpinho”, complementa Adriano.

E, se a venda melhora, o impacto é direto para os cooperados. Hoje ao todo são 18. Eduardo Dias Barbosa por exemplo faz de tudo um pouco por aqui.

“Tem muitas pessoas que não compreendem a importância do nosso trabalho de reciclagem. Não valoriza”.

Conscientização que a Rajione Correia Xavier já tinha muito antes de entrar aqui.

“Mesmo na época que eu não trabalhava em casa eu já fazia a reciclagem e trabalhava com reciclagem. Eu restaurava tudo”.

Para ela é um privilégio ter um trabalho que cuida do planeta.

“Reciclagem significa muito, porque eu ajudo a cidade, ajudo a todos. Inclusive, ensino as crianças, meus sobrinhos, minha mãe, minha avó. Então, é muito importante. Se a gente não cuidar da natureza que é que vai cuidar”, finaliza Rajione.

O geógrafo Ricardo Sartorello explica quais os fatores que influenciaram este aumento da quantidade de itens reciclados no Brasil e no Alto Tietê. “Vários fatores. A gente tem o reaquecimento das vendas, parte da população buscando alternativas de renda. Mas principalmente também o investimento das indústrias, o setor nesse processo de reciclagem. Centros de reciclagem, triagem, que é algo importante, ter essa estrutura para reaproveitar esse material nesse volume que a gente está vendo”.

← Matéria anterior Próxima matéria →

Fique por dentro das principais notícias