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Manaus está entre as piores capitais no Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana

Manaus está entre as piores capitais no Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana

Reflexo disso, Manaus aparece nas últimas posições entre as capitais brasileiras no Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU) 2024, elaborado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).

Por: Redação - 14 de julho de 2025 - 3 minutos de leitura
 
 
Apesar de estar em seu segundo mandato, o prefeito David Almeida (Avante) não priorizou a melhoria da política de resíduos sólidos em Manaus, um problema histórico da capital, que se arrasta há várias administrações, mas permanece sem avanços concretos.

Reflexo disso, Manaus aparece nas últimas posições entre as capitais brasileiras no Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU) 2024, elaborado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).

O estudo aponta falhas graves na gestão de resíduos sólidos da capital amazonense, com destaque negativo para a ausência total de cobrança pelo serviço e o índice nulo de reciclagem.

O ISLU é uma ferramenta estatística que avalia o nível de cumprimento das metas previstas na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), utilizando dados oficiais do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). A pontuação final é calculada a partir de quatro dimensões: engajamento, sustentabilidade financeira, recuperação de resíduos e impacto ambiental.

Pontuação crítica

A capital amazonense obteve uma nota geral de 0,482, inferior à média nacional entre os municípios com mais de 250 mil habitantes, que foi de 0,565. Essa pontuação coloca Manaus entre as cidades com desempenho mais fraco dentro do grupo de grandes centros urbanos.

A baixa pontuação está diretamente relacionada a dois indicadores em que o município obteve nota zero: sustentabilidade financeira e recuperação de resíduos recicláveis. Isso significa que Manaus não possui cobrança específica para custear os serviços de coleta e manejo de resíduos sólidos e não declarou qualquer índice de reciclagem ao sistema nacional.

Confira a pontuação detalhada de Manaus em cada uma das dimensões avaliadas:
Engajamento do município (E) – 0,488
Considera o IDH municipal e o percentual da população com acesso à coleta de resíduos.
Sustentabilidade financeira (S) – 0,000
Ausência de cobrança formal pelo serviço de manejo de resíduos sólidos.
Recuperação de resíduos (R) – 0,000
Não há dados sobre reaproveitamento ou reciclagem de materiais.
Impacto ambiental (I) – 1,000
Segundo a metodologia do ISLU, municípios que não prestam informações ou não implementam ações mínimas em determinada dimensão recebem automaticamente pontuação zero naquele critério.

Consequências estruturais

A falta de cobrança e de política de reciclagem afasta Manaus das metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. O estudo aponta que apenas cidades com pontuação acima de 0,750 estariam em conformidade com a meta 11.6 (redução do impacto ambiental), e que a meta 12.5 (30% de reciclagem até 2030) exigiria pontuação superior a 0,800 — um cenário ainda distante da realidade local.

Mesmo com mais de 2,2 milhões de habitantes e 14 anos após a promulgação da PNRS, Manaus ainda enfrenta desafios estruturais severos no tratamento, reaproveitamento e financiamento da gestão de resíduos sólidos, comprometendo a sustentabilidade do serviço e os ganhos econômicos e ambientais que poderiam ser gerados com uma política mais eficiente.

Confira abaixo o relatório ISLU 2024 elaborado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), com base em informações declaradas pelos municípios ao SNIS.

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