Segundo os pesquisadores, método garante uma reciclagem de baixo custo, sustentável e em larga escala das baterias de lítio
Olhar Digital - Por Alessandro Di Lorenzo, editado por Bruno Capozzi 22/09/2023 03h40
Imagem ilustrando o cenário atual de baterias de Baterias de íons de lítioaterias de íons de lítio. Crédito: Divulgação
As baterias de lítio alimentam a maioria dos dispositivos e eletrônicos no mercado hoje. A tecnologia é considerada fundamental devida a longa vida útil, tamanho pequeno e tempos de carregamento rápidos. O maior desafio, no entanto, é em relação ao processo de reciclagem dos materiais, o que causa prejuízos ao meio ambiente. Pensando nisso, pesquisadores desenvolveram uma nova abordagem para reaproveitar baterias gastas.
Leia mais
Baterias de lítio feitas com material reciclado serão realidade em breve
Lítio: riqueza ou problema ambiental?
Demanda por lítio dispara; saiba por que isso pode ser um problema
Impactos ambientais
O descarte inadequado de baterias de lítio pode ter um impacto significativo no meio ambiente, já que os produtos contêm metais pesados e químicos tóxicos, que podem contaminar o solo e a água.
Além disso, as baterias de lítio não são biodegradáveis, então permanecem no meio ambiente por centenas de anos.
Outra preocupação é com o processo de extração de lítio, que pode levar à degradação do solo e da água, além de afetar a biodiversidade local.
A mineração pode ser particularmente prejudicial em regiões sensíveis, como desertos e áreas com escassez de água.
A fabricação de baterias de lítio ainda consome grandes quantidades de energia e recursos naturais.
Ads by Kiosked
Extração de lítio pode causar graves problemas ambientais (Imagem: Steve Morfi/Shutterstock)
Método de reciclagem de baterias de lítio
Devido a todas essas ponderações ambientais é considerada imprescindível a criação de novos métodos que permitam a extração segura desses materiais e a reciclagem, e até reutilização, das baterias.
Uma possibilidade surgiu após pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências desenvolverem uma nova abordagem baseada na chamada eletrocatálise de contato, que poderia permitir a reciclagem de células das baterias gastas. O método, apresentado na revista Nature Energy, aproveita a transferência de elétrons que ocorre durante a eletrificação do contato líquido-sólido para gerar radicais livres que iniciam reações químicas desejadas.
Com a tendência global para a neutralidade de carbono, a demanda por baterias de lítio está aumentando continuamente. No entanto, os métodos atuais de reciclagem para baterias gastas precisam de melhorias urgentes em termos de ecologicamente correto, custo e eficiência. Propomos um método mecano-catalítico, denominado eletrocatálise de contato, utilizando radicais gerados pela eletrificação de contato para promover a lixiviação do metal sob a onda ultrassônica
Pesquisa publicada na revista Nature Energy
Os pesquisadores se propuseram a explorar a possibilidade de que a eletrocatálise de contato poderia substituir agentes químicos normalmente usados para reciclar as baterias. Para isso, eles usaram a técnica para provocar o contato contínuo sólido-líquido e a separação por meio de bolhas de cavitação, sob ondas de ultrassom.
Isso possibilitou a geração constante de oxigênio reativo através da eletrificação dos contatos. Eles então avaliaram a eficácia dessa estratégia para reciclar lítio e cobalto em produtos desgastados.
Para baterias de óxido de cobalto de lítio (III), a eficiência de lixiviação atingiu 100% para lítio e 92,19% para cobalto a 90°C em seis horas. Para as baterias ternárias de lítio, as eficiências de lixiviação de lítio, níquel, manganês e cobalto atingiram 94,56%, 96,62%, 96,54% e 98,39% a 70°C, respectivamente, em seis horas.
Pesquisa publicada na revista Nature Energy
Em testes iniciais, a abordagem proposta por essa equipe de pesquisadores alcançou resultados altamente promissores, destacando seu potencial para apoiar a reciclagem de baixo custo, sustentável e em larga escala dos materiais caros e muito procurados dentro das baterias de lítio. Estudos futuros são necessários para ajudar a aperfeiçoar esse método, avaliando melhor suas vantagens e limitações, potencialmente abrindo caminho para sua implantação em cenários do mundo real.