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Economia Circular: o ciclo virtuoso que pode salvar o planeta e transformar sua cidade

Economia Circular: o ciclo virtuoso que pode salvar o planeta e transformar sua cidade

De acordo com a Global Footprint Network (2024), a humanidade consome hoje 1,7 vezes mais recursos naturais do que o planeta é capaz de regenerar.


Revide - Nexos Gestão Público -  14 Jul 2025 12:30
       
Imagine uma cidade onde nada é desperdiçado. Onde uma garrafa plástica vira roupa. Onde restos de alimentos viram energia. Onde carros, celulares e móveis duram mais e podem ser consertados, reaproveitados ou transformados em algo novo. Essa ideia, que parece saída de um filme futurista, já está ganhando espaço no mundo real. O nome dessa revolução silenciosa? Economia Circular.

De acordo com a Global Footprint Network (2024), a humanidade consome hoje 1,7 vezes mais recursos naturais do que o planeta é capaz de regenerar. Em outras palavras: estamos gastando o planeta, como se ele tivesse uma linha de crédito infinita e sem pagar as parcelas. Os efeitos disso já são sentidos: aquecimento global, escassez de matérias-primas, aumento do lixo, crises energéticas.

Diante desse cenário, a economia circular surge como uma resposta urgente. Mais que um conceito ambiental, trata-se de uma nova lógica econômica. Enquanto o modelo tradicional, conhecido como linear, segue a lógica do “extrair, produzir, usar e descartar”, o modelo circular propõe um ciclo contínuo de uso e reaproveitamento, no qual o resíduo vira recurso.

Segundo a Ellen MacArthur Foundation (2022), uma das principais referências no tema, a economia circular se apoia em três pilares: 1. Eliminar resíduos e poluição desde o design dos produtos; 2. Manter produtos e materiais em uso pelo maior tempo possível; 3. Regenerar os sistemas naturais. Ou seja, trata-se de um redesenho completo da forma como produzimos e consumimos, transformando falhas em oportunidades.

Se cabe ao Estado criar políticas públicas e marcos regulatórios que incentivem essa nova lógica produtiva, as empresas são protagonistas na implementação prática dessa mudança. Afinal, são elas que projetam produtos, controlam cadeias produtivas e dialogam diretamente com os consumidores.

A Natura, por exemplo, tem se destacado mundialmente nesse campo. A empresa brasileira investe milhões em inovação sustentável: desde o uso de refis e embalagens recicladas até a rastreabilidade da cadeia produtiva de ingredientes naturais. Em 2024, foi reconhecida novamente como uma das companhias mais sustentáveis do mundo (Natura, 2024). Outro exemplo inspirador vem da Renner, que lançou linhas de roupas feitas com tecidos reciclados e incentiva o descarte consciente de peças usadas em suas lojas (GEISSDOERFER et al., 2017).

Essas iniciativas mostram que ser sustentável não é mais custo, mas investimento estratégico. Além de fortalecer a marca, reduz riscos e atende à crescente demanda de consumidores conscientes.

No entanto, apesar dos bons exemplos, a transição para a economia circular não pode depender apenas da boa vontade do setor privado. É aqui que entra o papel fundamental das políticas públicas. Estados e municípios têm o dever de criar leis, incentivos fiscais, programas de educação ambiental, infraestrutura para reciclagem e marcos regulatórios claros para estimular a mudança de cultura.


Um exemplo bem-sucedido pode ser visto na União Europeia, que já adota um plano de ação em economia circular com metas ambiciosas para reduzir resíduos, eliminar o uso de plásticos de uso único e incentivar a durabilidade dos produtos. No Brasil, algumas cidades começam a discutir planos locais de resíduos sólidos e programas de logística reversa, mas ainda há muito a avançar em termos de articulação entre governos, empresas e cidadãos.

Nesse sentido, a economia circular também convida empresas e gestores públicos a repensarem o conceito de eficiência. Como destaca Braungart e McDonough (2002), não se trata apenas de “reduzir danos”, mas de eliminar a ideia de lixo por completo, criando processos que gerem valor em todas as etapas, da produção ao pós-consumo.

Na prática, isso significa produzir mais com menos: menos matérias-primas, menos energia, menos água, menos resíduos. Significa pensar em produtos modulares, fáceis de consertar, atualizar ou desmontar. E valorizar cadeias locais, parcerias e inovação sustentável. A economia circular já não é uma utopia distante, ela está acontecendo, e o futuro depende da forma como vamos ampliá-la. Empresas inovadoras, governos comprometidos e cidadãos informados são os três pilares dessa transformação.

Repensar o que consumimos, como descartamos e o que exigimos dos produtos e serviços que usamos é uma tarefa coletiva. E aqui na Nexos, continuaremos acompanhando de perto as iniciativas que mostram que é possível crescer e cuidar do planeta ao mesmo tempo.

Autora: Ana Laura Clemente de Souza - Graduanda em Ciências Contábeis na FEARP .
Revisor 1: Luciano Henrique Caixeta Viana - Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Administração de Organizações | FEARP ;  Revisor 2:  Claudia Souza Passador - Professora da FEARP - USP ; Revisor: 3: Lucas Garavaso Melges, graduando em Administração - FEARP.

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