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Reciclagem no Brasil pode saltar de 1,82% para 34,5% até 2035

Reciclagem no Brasil pode saltar de 1,82% para 34,5% até 2035

Meta do governo federal integra plano para cidades sustentáveis e prevê ampliar coleta seletiva, fortalecer cooperativas e reduzir impacto ambiental do lixo urbano.

Vermelho - por Barbara Luz - Publicado 10/03/2026 13:36 | Editado 10/03/2026 13:52 - Foto: reprodução Recicla Sampa/@role_sp

O governo Lula quer promover uma mudança estrutural na gestão de resíduos nas cidades brasileiras: elevar a taxa de reciclagem de resíduos secos e orgânicos de apenas 1,82% para 34,5% até 2035. A meta integra o Programa Cidades Verdes Resilientes (PCVR), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e representa um salto de mais de 30 pontos percentuais na recuperação de materiais recicláveis no país. Veja a íntegra da resolução aqui.

Atualmente, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, o Brasil recupera apenas 1,82% do total de resíduos sólidos urbanos coletados, índice considerado extremamente baixo para padrões internacionais. Esse percentual corresponde a cerca de 159 mil toneladas por ano de resíduos orgânicos recuperados e 1,17 milhão de toneladas anuais de materiais recicláveis secos.

A nova política estabelece uma trajetória de crescimento progressivo da reciclagem nas cidades brasileiras. A meta é atingir 25,3% de recuperação de resíduos até 2030 e chegar a 34,5% até 2035, ampliando significativamente a capacidade de triagem, compostagem e reaproveitamento de materiais.

Para Adalberto Maluf, secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, “a medida busca integrar planejamento urbano, mobilidade sustentável, gestão de resíduos, eficiência energética e a proteção dos recursos naturais no ambiente urbano”.

Ampliação da coleta seletiva e inclusão de catadores

Para alcançar esse patamar, o plano federal prevê a expansão da coleta seletiva em todo o país, o fortalecimento das unidades de triagem e compostagem e a ampliação das políticas de logística reversa. O governo também aposta na inclusão produtiva de catadoras e catadores de materiais recicláveis, considerados agentes centrais na cadeia da reciclagem.

O aumento da recuperação de resíduos é visto como estratégico para reduzir a pressão sobre aterros sanitários, diminuir a poluição do solo e da água e cortar emissões de gases de efeito estufa associadas à decomposição inadequada do lixo. Ao mesmo tempo, a reciclagem contribui para preservar recursos naturais ao reduzir a necessidade de extração de novas matérias-primas.

Plano ambiental para transformar as cidades

A meta de reciclagem faz parte de um pacote mais amplo de políticas ambientais urbanas previstas no Programa Cidades Verdes Resilientes. O plano estabelece metas estruturais para transformar a sustentabilidade nas cidades brasileiras nas próximas décadas.

Entre elas está a ampliação da cobertura vegetal urbana em 180 mil hectares até 2035, elevando a presença de áreas verdes nas cidades. O programa também prevê que 57% da população urbana viva em ruas com três ou mais árvores até 2035, ampliando o conforto térmico e a qualidade ambiental.

Outra meta é fortalecer a capacidade de adaptação climática em 35% dos municípios brasileiros até 2035, com instrumentos de planejamento urbano voltados à prevenção de desastres e à redução de riscos climáticos.

Na área de mobilidade urbana, o programa pretende elevar a participação da mobilidade ativa — deslocamentos a pé ou de bicicleta — de cerca de 32% atualmente para 34,5% até 2030 e 37% até 2035, com projeções de chegar a 44,5% até 2050.

Além disso, o governo pretende incentivar a adoção de tecnologias de baixo carbono em 30% dos municípios brasileiros até 2035 e estimular a implementação de soluções baseadas na natureza em 17,5% das cidades, como parques urbanos, recuperação de áreas verdes e infraestrutura ecológica para enfrentar eventos climáticos extremos.

Com metas que combinam reciclagem, infraestrutura verde, mobilidade sustentável e inovação tecnológica, o programa busca reorientar o desenvolvimento urbano brasileiro diante da emergência climática e das desigualdades socioambientais presentes nas cidades.

 

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