Nas estações, os cidadãos entregam materiais recicláveis e recebem pontos que podem ser trocados por produtos fabricados a partir dos resíduos coletados
O TEMPO Cidades - 11 de março de 2026 | 21:33 - Foto: Divulgação
Para além da tecnologia, o impacto social é o pilar central da iniciativa
A gestão de resíduos sólidos no Brasil ganha um novo fôlego com os primeiros reflexos da Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR). Entre as iniciativas beneficiadas está a Estação Circular, uma startup mineira que utiliza um modelo de recompensa para o descarte consciente e planeja expandir sua atuação de oito para 23 unidades em diferentes localidades, apoiada pelo mecanismo de renúncia fiscal federal.
O projeto funciona como um elo entre o poder público, empresas e associações de catadores. Nas estações, os cidadãos entregam materiais recicláveis e recebem pontos que podem ser trocados por produtos fabricados a partir dos próprios resíduos coletados, fechando o ciclo da economia circular.
Para além da tecnologia, o impacto social é o pilar central da iniciativa. Em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a unidade inaugurada no fim de 2025 é gerida pela Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascamare).
Para a presidente da associação, Edna Mariana, que trabalhou 15 anos em lixões antes da formalização da categoria, o projeto traz o reconhecimento necessário. "Não somos lixeiros, somos agentes ambientais. O médico salva vidas e a gente salva o planeta", afirma. O modelo da LIR garante, por exemplo, o custeio do salário do operador da estação por oito meses, oferecendo segurança financeira às cooperativas.
Oportunidade para o setor privado
Gerida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a LIR teve sua primeira rodada em 2025, registrando 952 projetos apresentados e um potencial de investimento de R$ 2,2 bilhões. Atualmente, a Estação Circular busca novos parceiros no setor privado.
"As empresas podem destinar parte do imposto devido para financiar a implantação dessas unidades, cumprindo metas de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental", explica Davi Iankous, gestor do projeto.
Com cinco unidades em operação e três em implantação, a meta da startup é consolidar a rede de 15 novas estações previstas no projeto aprovado pela lei, transformando o descarte, que antes era um problema ambiental, em geração de renda e novos produtos duráveis.